LinkedIn torna-se vitrine corporativa, ampliando riscos jurídicos para empresas e profissionais

Caren Benevento, advogada, sócia da Benevento Advocacia

O LinkedIn se tornou o novo crachá corporativo. As pessoas passaram a representar suas empresas de forma muito mais visível e permanente. O problema é que muitas organizações incentivam essa exposição sem estabelecer orientações claras sobre confidencialidade, proteção de dados, uso da marca e responsabilidade pelas informações compartilhadas.

Com mais de 100 milhões de usuários no Brasil, o LinkedIn se consolidou como uma das principais plataformas de relacionamento profissional do país. Ao mesmo tempo em que cresce a presença de executivos, empreendedores e colaboradores na rede, aumenta também o incentivo das empresas para que seus profissionais atuem como embaixadores de marca, compartilhem conhecimento e fortaleçam a reputação corporativa por meio de seus perfis pessoais.

O movimento acompanha uma mudança importante na comunicação empresarial. Cada vez mais as organizações percebem que pessoas geram mais conexão e credibilidade do que canais institucionais. Executivos, especialistas e colaboradores passaram a ocupar um papel relevante na construção da imagem das empresas, transformando o LinkedIn em uma extensão do ambiente de trabalho.

Na prática, a plataforma deixou de funcionar apenas como um currículo digital e está mais relacionada a geração de negócios, networking, recrutamento, relacionamento, posicionamento e influência corporativa.

Segundo Caren Benevento, advogada, sócia da Benevento Advocacia, conselheira da FIESP e pesquisadora do Grupo de Estudos de Direito Contemporâneo do Trabalho e da Seguridade Social da Universidade de São Paulo (GETRAB-USP), o crescimento da exposição profissional traz oportunidades importantes, mas também exige atenção aos limites jurídicos dessa atuação.

Falta de orientações claras

“O LinkedIn se tornou o novo crachá corporativo. As pessoas passaram a representar suas empresas de forma muito mais visível e permanente. O problema é que muitas organizações incentivam essa exposição sem estabelecer orientações claras sobre confidencialidade, proteção de dados, uso da marca e responsabilidade pelas informações compartilhadas”, afirma.

A discussão ganha relevância em um momento em que a construção de marca pessoal se tornou parte da estratégia de negócios de muitas empresas. Ao mesmo tempo em que colaboradores fortalecem sua reputação profissional, aumentam os riscos relacionados à divulgação indevida de informações, exposição de dados pessoais, conflitos reputacionais e interpretações equivocadas sobre posicionamentos corporativos.

“Um dos pontos de atenção envolve justamente a associação entre profissional e empresa. Em situações de crise, recuperação judicial, aquisições, encerramento de operações ou repercussão negativa de uma marca, é comum que executivos e colaboradores sejam procurados por clientes, fornecedores, jornalistas e até mesmo ex-colegas em busca de esclarecimentos”, esclarece a advogada.

Outro tema que começa a ganhar relevância é a relação entre a construção de networking e os vínculos profissionais. Perfis que acumulam milhares de conexões ao longo dos anos frequentemente misturam relacionamentos pessoais e corporativos, levantando discussões sobre confidencialidade, concorrência e uso de informações após desligamentos. “Não se trata de limitar a presença dos profissionais nas redes sociais, mas falta governança e políticas claras para que essa exposição ocorra de forma segura para todos os envolvidos”, explica Caren.

Criação de políticas específicas

Para a especialista, o avanço das redes profissionais deve levar mais empresas a criarem políticas específicas sobre o uso do LinkedIn e de outras plataformas digitais, assim como já ocorre com regras de segurança da informação, proteção de dados e comunicação corporativa.

Nesse sentido, ela dá sete dicas para usar o LinkedIn sem comprometer a carreira ou gerar riscos jurídicos:

  1. Separe opinião pessoal de posicionamento corporativo. Mesmo em perfis pessoais, determinadas manifestações podem ser interpretadas como posicionamentos da empresa;
  2. Evite divulgar informações internas. Projetos, números, estratégias, negociações e informações de clientes podem estar protegidos por cláusulas de confidencialidade;
  3. Tenha atenção à LGPD. Fotos, documentos, listas de participantes e informações de terceiros podem conter dados pessoais protegidos por lei;
  4. Pense antes de publicar em momentos de conflito. Postagens feitas durante crises, desligamentos ou disputas profissionais costumam gerar os maiores riscos reputacionais;
  5. Preserve relações profissionais. Críticas públicas a ex-empregadores, ex-colegas ou parceiros podem trazer consequências que ultrapassam o ambiente digital;
  6. Compartilhe experiências com responsabilidade. É possível valorizar sua trajetória profissional sem divulgar informações estratégicas ou sensíveis das empresas pelas quais passou;
  7. Lembre-se de que a Internet tem memória. Mesmo conteúdo apagado pode permanecer registrado por compartilhamentos, capturas de tela ou publicações de terceiros.

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