Daniel Guimarães, advogado tributarista
Tecnologia acelera a análise de documentos e decisões, automatiza a produção de contratos e petições e traz ferramentas que ajudam a orientar estratégias jurídicas com mais agilidade e precisão
A rotina dos escritórios de advocacia está passando por uma profunda transformação impulsionada pelo avanço da Inteligência Artificial (IA). Atividades que antes exigiam horas ou até semanas de trabalho manual passaram a ser realizadas em poucos minutos, tornando os processos mais ágeis e permitindo que os profissionais concentrem seus esforços em tarefas mais estratégicas.
Uma das principais mudanças está na capacidade de analisar informações com o uso de ferramentas que conseguem examinar rapidamente diversas decisões judiciais, identificando precedentes e argumentos que podem auxiliar na condução dos processos.
O recurso tecnológico também vem sendo utilizado na elaboração de contratos e petições, automatizando etapas iniciais do trabalho e ajudando na identificação de cláusulas que possam representar riscos para os clientes. Esse uso da tecnologia abriu espaço para uma nova tendência no setor jurídico, que é a análise preditiva. Com base em dados de julgamentos anteriores, sistemas inteligentes conseguem estimar as chances de sucesso de uma ação judicial.
Embora não substituam a avaliação do advogado, essas projeções auxiliam na definição de estratégias, permitindo uma análise mais precisa sobre a viabilidade de seguir com uma disputa ou buscar um acordo.
O advogado tributarista Daniel Guimarães, que utiliza Inteligência Artificial em seu trabalho, afirma que a tecnologia o auxilia na análise de temas específicos, tornando mais rápido o processo de revisão documental: “Utilizo alguns agentes de IA que me ajudam em tarefas que demandariam muito mais tempo. Isso otimiza o trabalho, permitindo concluir um maior número de serviços em menos tempo e com mais eficiência”.
Impactos em empresas
Guimarães avalia que o uso da IA tem impactos diretos tanto em grandes quanto em pequenas empresas. O advogado cita como exemplo processos que exigem análise minuciosa, como auditorias e avaliações de risco. “A IA acelera a análise de documentos e leis. Com ela, conseguimos avaliar muitos contratos, relatórios e registros em pouco tempo. Além disso, ela identifica possíveis erros que poderiam passar despercebidos em revisões feitas apenas por pessoas”, pontua.
Segundo o tributarista, apesar dos avanços trazidos pela tecnologia, a Inteligência Artificial não deve substituir os profissionais do Direito. “A IA não está acima do conhecimento do profissional. Ela atua como ferramenta de apoio, eliminando tarefas repetitivas e burocráticas. Com isso, nós advogados podemos dedicar mais tempo ao raciocínio jurídico e à construção de estratégias de negociação e atendimento aos clientes”, salienta.
Para Guimarães, a transformação digital mostra que a advocacia do futuro será marcada pela combinação entre conhecimento jurídico e inovação tecnológica.
“A Inteligência Artificial já está consolidada como uma aliada capaz de aumentar a produtividade, melhorar a tomada de decisões e contribuir para um sistema de justiça mais eficiente e acessível”, assinala.
“Acredito que profissionais das áreas tributária e contábil que já incorporaram essa tecnologia em seus escritórios para melhorar os processos internos e otimizar tarefas estarão mais preparados para superar os desafios do mercado”, conclui.
