Victor Rizzo, CEO da INOV.AI
Especialista analisa os impactos da IA na advocacia, os desafios para sua adoção e a importância da supervisão humana no uso da tecnologia
A Inteligência Artificial (IA) já deixou de ser uma promessa distante e passou a fazer parte da rotina de escritórios, empresas e profissionais do Direito. Ao mesmo tempo em que abre espaço para mais produtividade e eficiência, a tecnologia também traz novos desafios relacionados à segurança, proteção de dados, governança e supervisão humana.
Victor Rizzo, CEO da INOV.AI e pioneiro na introdução da IA na área jurídica no Brasil em 2016, participou recentemente do podcast Geração Legal Tech, e analisou o ritmo acelerado de evolução da tecnologia e os impactos dessa transformação no setor.
Para o executivo, a velocidade com que novas soluções surgem torna cada vez mais difícil fazer projeções sobre o futuro, mesmo para quem acompanha de perto os avanços da Inteligência Artificial.
“Temos uma expectativa em relação ao futuro, mas hoje é muito difícil fazer projeções, até mesmo para quem trabalha diretamente com tecnologia e acompanha de perto essa evolução. A cada 15 dias surge uma nova informação, uma nova ferramenta ou um avanço inesperado que mostra o quanto a Inteligência Artificial está evoluindo rapidamente. O que temos hoje era algo que se projetava para 2040. Estamos em 2026 e já ultrapassamos muitas das expectativas que existiam para o futuro”, comenta o executivo.
Integração de soluções e serviços
Nesse cenário, a tecnologia, assinala ele, vem sendo incorporada às mais diversas atividades da advocacia, com potencial para automatizar processos, aumentar a produtividade, reduzir custos e ampliar a eficiência das equipes. Os próximos avanços, no entanto, não devem estar relacionados apenas ao surgimento de ferramentas isoladas, mas à integração de diferentes soluções e serviços.
Para Rizzo, essa evolução também tende a transformar o papel do profissional jurídico, que passará a atuar de forma mais estratégica na concepção e supervisão dos processos realizados pela tecnologia.
“Para a área jurídica, o que ainda falta é a integração de diferentes serviços. A próxima geração será marcada justamente pela conexão desses serviços em uma esteira completa, na qual o ser humano terá primeiro o papel de mentor, responsável por conceber essa estrutura, e, depois, de supervisor, acompanhando tudo por meio de um painel de controle. Considerando o horizonte que conseguimos projetar hoje, acredito que esse cenário seja tecnicamente possível nos próximos três ou quatro anos”, antevê Victor Rizzo.
Apesar do potencial de transformação, a expansão da Inteligência Artificial também exige uma utilização responsável. Questões como acurácia, proteção de dados, governança e supervisão humana devem acompanhar a adoção da tecnologia e continuarão sendo fundamentais para o futuro da advocacia.
