NR-1: saúde mental vira indicador obrigatório na Gestão de Riscos Ocupacionais

Marcos Rinaldi, CEO da Fortalece

Plataformas digitais atuam como suporte da monitoração ao permitir o acompanhamento de indicadores ao longo do tempo, ajudando gestores a identificar padrões de risco e direcionar intervenções de forma estruturada

Desde o dia de 26 de maio de 2026, a fiscalização trabalhista no Brasil inclui um conjunto de fatores que, até pouco tempo, raramente apareciam nos relatórios técnicos, como estresse, assédio, burnout e violência no ambiente de trabalho. A atualização da NR-1, norma regulamentadora que orienta a gestão de saúde e segurança ocupacional, incorpora esses elementos ao sistema formal de controle de riscos.

Isso significa que empresas precisam, a partir de agora, registrar, acompanhar e tratar indicadores ligados à saúde mental com o mesmo rigor aplicado a riscos físicos, químicos ou ergonômicos. Esses dados passam a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), documentos obrigatórios que estruturam a prevenção dentro das organizações.

A exigência amplia, assim, a forma de olhar para a segurança, ao incluir fatores como metas, jornadas, relações internas e organização do trabalho na análise do adoecimento. O foco passa a incluir o ambiente como um todo, e não apenas o indivíduo.

Antes, a investigação costumava se concentrar no indivíduo, com o afastamento, o diagnóstico e o comportamento daquele colaborador específico. A resposta vinha depois do problema já instalado. Com a NR-1 atualizada, o olhar passa a recair sobre o ambiente de trabalho como um todo. A pergunta passa a incluir: “o que, dentro da operação, pode estar contribuindo para esse quadro?”.

Isso envolve avaliar fatores como metas incompatíveis com a estrutura disponível; jornadas extensas ou mal distribuídas; sobrecarga contínua de tarefas; falhas de comunicação ou conflitos recorrentes; e pressão por desempenho sem critérios claros.

Afastamentos por transtornos mentais

A aplicação da NR-1 ocorre em paralelo ao crescimento dos afastamentos por transtornos mentais no país. Dados do INSS mostram que o Brasil já ultrapassa a marca de 500 mil licenças anuais por esse tipo de condição, com ansiedade e depressão entre as principais causas. O volume coloca a saúde mental entre os principais fatores de afastamento do trabalho e ajuda a explicar a pressão por modelos mais estruturados de prevenção dentro das organizações.

A mudança também atinge o setor público, ainda que de forma indireta. Prefeituras e demais órgãos estão buscando práticas compatíveis com a Norma, diante do aumento de afastamentos por questões emocionais e da necessidade de estruturar políticas preventivas.

Para ajudar as empresas e instituições públicas a seguir as normas e buscar o bem-estar de seus colaboradores, as tecnologias têm se tornado aliadas cada vez mais importantes. Ferramentas ajudam a monitorar, gerir e agir preventivamente antes que um evento se transforme em um problema.

“Sem algum nível de monitoramento e prevenção, a gestão tende a reagir apenas quando o afastamento já aconteceu. O desafio agora é criar mecanismos que permitam agir de forma a prevenir os riscos psicossociais”, destaca Marcos Rinaldi, CEO da Fortalece, plataforma que oferece soluções de bem-estar físico e emocional em ambientes organizacionais, que vem sendo utilizada por empresas e administrações públicas como apoio à construção de diagnósticos e execução dos planos de ação.

“No setor público, a dificuldade não está só em reconhecer o problema, mas em transformar isso em política estruturada. Sem dados organizados, a tomada de decisão fica limitada”, complementa.

A plataforma atua como suporte nesse processo, ao permitir o acompanhamento de indicadores ao longo do tempo, ajudando gestores a identificar padrões de risco e direcionar intervenções de forma estruturada.

“A solução tem a proposta de ajudar na implementação de hábitos cada vez melhores, utilizando-se de atividades que envolvem cuidados pessoais com o sono, alimentação, estímulo à prática de atividade física, autoconhecimento, inteligência emocional e a relação com o meio social”, assinala Rinaldi. Também há atenção à saúde financeira, até porque, conforme nota o executivo, “as finanças estão entre os maiores motivos de preocupação, ansiedade e estresse”.

Os benefícios já são perceptíveis. “A última pesquisa realizada com um grupo de usuários de nossa plataforma que implementaram, de fato, novos hábitos apresentou resultados expressivos, como melhora em 23% da autoconfiança, em 37% da disposição, em 13% do humor, em 23% na qualidade do sono e em 46% da percepção geral de qualidade de vida”, informa o CEO.

Respostas mais objetivas

Segundo ele, a inclusão dos riscos psicossociais na NR-1 exige que as organizações estruturem respostas mais objetivas. “A norma cria um padrão. Não basta reconhecer o problema, é preciso medir, acompanhar e agir com método. Isso muda a forma como as empresas organizam seus dados e suas decisões”, enfatiza.

Embora a NR-1 tenha aplicação direta sobre trabalhadores regidos pela CLT, a recomendação de especialistas é que órgãos públicos adotem práticas alinhadas à norma, especialmente diante do aumento de afastamentos por questões emocionais e da necessidade de estruturar políticas preventivas.

A nova exigência também altera a forma como o tema é tratado internamente. Iniciativas pontuais, como campanhas ou treinamentos isolados, perdem espaço diante da necessidade de integrar a saúde mental à rotina operacional, com indicadores, metas e acompanhamento contínuo.

“Para empresas e gestores públicos, o desafio está em transformar um tema historicamente subjetivo em uma variável acompanhada de forma contínua. A NR-1 estabelece o parâmetro, mas a gestão passa a depender de dados, monitoramento e capacidade de construir e executar um plano de ação preventivo”, conclui o CEO da Fortalece. 

Referências: https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/adoecimento-mental-mais-de-500-mil-brasileiros-foram-afastados-do-trabalho-em-2025

https://www.gov.br/previdencia/pt-br/noticias/2026/janeiro/previdencia-social-concede-546-254-beneficios-por-incapacidade-temporaria-por-transtornos-mentais-e-comportamentais

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