Setor jurídico é o primeiro beneficiário da nova estratégia para agentes de IA da Benner

Severino Benner, CEO da Benner

Com investimento de cerca de R$ 50 milhões, a companhia passou a orientar todo o uso de IA em suas soluções por regras de governança e segurança. Nesse contexto, a vertical jurídica será a primeira a receber os agentes Atelier e Elos.

Benner, uma das principais fornecedoras brasileiras de software de gestão empresarial, acaba de anunciar uma nova estratégia que orienta o uso de Inteligência Artificial (IA) em suas soluções e na operação de seus clientes. Com investimentos na casa dos R$ 50 milhões, a companhia passa a levar a IA para o ambiente corporativo de maneira governada, segura e mensurável, com a tecnologia a serviço de processos críticos de negócio.

Mais detalhadamente, dentro do plano Benner 2030, a companhia está lançando uma nova camada de IA baseada em orquestração de agentes autônomos, capaz de conectar sistemas, executar tarefas e reduzir em até 80% o tempo de integrações.

A vertical jurídica será a primeira a receber os agentes Atelier e Elos, que podem apoiar tarefas como atualização cadastral, análise de documentos, acompanhamento de prazos e organização de informação processual.

De acordo com o Diretor de Tecnologia e Inovação, José Guilherme Merchiori, o investimento se materializa em produtos prontos para uso: “Qualquer empresa adota IA hoje. O que muda é a governança, com cada agente operando dentro de regras, permissões, trilhas de auditoria e acompanhamento de custos definidos pela área de tecnologia do cliente, o que garante segurança na operação”.

O Atelier, uma fábrica de agentes de IA, permite às áreas de negócio criar e operar agentes sem programação, descrevendo em linguagem natural o objetivo, o grau de autonomia e as fontes autorizadas. Toda a operação é rastreável e a liderança acompanha execuções, pendências, aprovações e custos em uma visão única.

Diferentemente da IA Generativa, que responde e gera conteúdo, o agente autônomo executa operações e conduz processos, o que oferece maior autonomia às áreas de negócio sem que os times de TI percam o controle da governança.

Troca de dados e serviços

Já o Elos, hub de integrações e gestão de agentes, organiza a troca de dados e serviços entre sistemas, parceiros, fornecedores e aplicações legadas. A solução agiliza a criação de novos processos de troca de mensagens de forma configurável, independentemente do padrão utilizado (API, planilha, txt, agente), com monitoramento das transações e dos erros, criando um processo mais seguro.

Os agentes serão precificados com base no volume de transações geradas ou de acordo com o resultado obtido, incluindo custos de cloud e tokens consumidos.

Segundo Merchiori, o Elos também será a plataforma de registro de agentes de IA próprios ou de terceiros. “Criamos uma pista segura para a gestão dos agentes no sistema, com controle de alçadas e log das transações. Antes de colocar a IA para executar tarefas, é preciso ter APIs, dados e processos padronizados e observáveis, e o Elos apoia isso. Projetos de integração suportados pela solução podem reduzir em até 80% o tempo de implementação, e cada agente será um usuário com funções previamente definidas”, contextualiza.

Juntas, as soluções traduzem a tese da Benner de que uma IA confiável só é possível a partir de uma integração fundamentada. Para escalar a inteligência, a organização precisa estruturar sua base de dados, APIs e processos. Com essa fundação consolidada, é possível ampliar o uso da IA de forma mais segura e eficiente.

Rastreabilidade de ponta a ponta

De acordo com o CEO da Benner, Severino Benner, os agentes autônomos só executam dentro de guardrails (barreiras de proteção), políticas de aprovação e controle de permissões, com rastreabilidade de ponta a ponta.

“A proposta responde a uma preocupação das empresas ao adotar a IA Generativa, que é ganhar velocidade sem abrir mão de auditoria, conformidade e previsibilidade de custos. A IA Generativa é um assistente para CPFs, mas o agente é um robô que faz as atividades de um profissional, imputando, analisando e alterando dados, e por isso não pode ser implantado de maneira autônoma sem controle”, ressalta o executivo.

Segundo Severino, trata-se de uma prova de conceito de um modelo que a Benner pretende estender, de forma gradual, às demais verticais em que atua. Para acelerar a adoção da IA Generativa internamente, a companhia criou um comitê multidisciplinar de IA e passou a disponibilizar licenças corporativas de ferramentas como Anthropic Claude, Microsoft Copilot e Manus aos colaboradores, com foco em uso seguro, estruturado e gerenciado.

“Nosso objetivo é ser uma grande fábrica de agentes de IA para acelerar a digitalização dos processos de nossos clientes. Com os comitês, estamos definindo as prioridades de cada empresa e impactando os negócios das mais importantes companhias do país”, finaliza.

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