Cristiano Ruiz, COO do b/luz
Dados preliminares do Maturity Score AI, plataforma de diagnóstico desenvolvida pelo b/luz, mostram que o pilar “Pessoas” é atualmente o de menor maturidade entre escritórios e departamentos jurídicos avaliados no Brasil
A criação de áreas de Legal Operations se acelerou nos escritórios e departamentos jurídicos brasileiros nos últimos dois anos, impulsionada pela pressão por eficiência e pela chegada massiva de ferramentas de Inteligência Artificial ao setor. Mas a expansão desta disciplina não tem sido acompanhada pela maturidade operacional necessária para que as iniciativas gerem resultado.
Dados preliminares do Maturity Score AI, plataforma de diagnóstico desenvolvida pelo b/luz, revelam que o pilar “Pessoas” é consistentemente o de menor pontuação entre todos os avaliados, o que indica que escritórios e departamentos ainda carecem de profissionais preparados para sustentar a transformação que prometem implementar.
“O mercado jurídico tem uma necessidade urgente de desenvolver seus profissionais e, talvez mais do que isso, de plugar profissionais multidisciplinares com formações diferentes, que venham de outras áreas para complementar a função jurídica e entregar mais valor para os clientes”, afirma Cristiano Ruiz, COO do b/luz.
O diagnóstico reflete um padrão estrutural do setor. O advogado brasileiro foi formado para ser um especialista técnico, com alto domínio de argumentação e negociação, mas historicamente sem profundidade em disciplinas como gestão de pessoas, análise de dados e tecnologia.
Para Ruiz, essa lacuna explica por que tantas iniciativas de LegalOps avançam no papel e encontram resistência na prática: “Toda oportunidade que a gente tem, a gente procura explicar os porquês. Quando a liderança entende a razão, fica mais fácil engajar o time no que precisa mudar”.
Decisões por percepção, não por dados
Um dos principais entraves identificados pelo b/luz é a persistência de uma cultura de decisão baseada em percepção, e não em evidências. A ausência de indicadores estruturados faz com que lideranças jurídicas invistam em tecnologia sem saber exatamente em que ponto da jornada de transformação se encontram, o que resulta em iniciativas descoordenadas e baixo retorno.
“O mais importante é que os líderes jurídicos saibam onde estão. Comece de forma estratégica, ao invés de implantar muitas tecnologias, gastar dinheiro e descobrir meses depois que não chegou lá porque não preparou os times”, salienta Ruiz.
Foi para endereçar esse problema que o b/luz desenvolveu o Maturity Score AI, plataforma gratuita voltada a escritórios e departamentos jurídicos de todo o Brasil. A ferramenta combina um motor matemático com Inteligência Artificial para avaliar seis pilares operacionais, entre eles estratégia, dados, tecnologia e gestão de fornecedores, a partir de 16 perguntas estruturadas.
O resultado é um score global de 0 a 100, notas por pilar e um conjunto de ações prioritárias para os próximos 90 dias. A recomendação é que o diagnóstico seja repetido a cada trimestre, permitindo que a liderança acompanhe a evolução da maturidade ao longo do tempo.
Grandes escritórios não têm vantagem automática
Outra percepção que os dados do b/luz desafiam é a de que escritórios maiores partem em vantagem na corrida pela modernização. Na prática, o tamanho da estrutura tende a tornar o processo mais lento.
“Quanto maior o escritório, maior a dificuldade de se movimentar, principalmente pelas questões culturais. Os pequenos e médios vão, em algum momento, inspirar os grandes por uma questão simples: quem se adaptar mais rápido estará mais preparado para influenciar quem ainda não trilhou essa jornada”, avalia Ruiz.
Para o executivo, o caminho é crescer de forma consistente, com todas as camadas evoluindo juntas. “É como uma maratona. Você não pode ficar sem fôlego lá na frente. Escolhas conscientes e consistentes são o que levam aos melhores resultados”, conclui.
