Legal Ops ganha espaço em escritórios jurídicos diante da pressão por eficiência e controle

Vinícius Marques, CEO e fundador da EasyJur

A profissionalização da gestão jurídica ganha força com o apoio de tecnologia, automação e análise de dados aplicadas à operação. Assim, a adoção de Legal Ops deixou de ser uma iniciativa complementar e passou a integrar a estratégia dos escritórios que buscam manter margem, escala e qualidade na entrega.

A transformação da economia jurídica tem levado escritórios de advocacia a reverem sua estrutura operacional e a criar áreas de legal ops para enfrentar um cenário em que eficiência, previsibilidade e controle passaram a ser determinantes para a competitividade. Na prática, o mercado já começa a sentir o esgotamento do modelo baseado apenas em faturamento por hora sem gestão estruturada. Problemas como perda de prazos por falhas humanas, sobrecarga de sócios com tarefas administrativas e dificuldade para identificar quais clientes são realmente rentáveis têm pressionado a sustentabilidade das bancas.

Nesse contexto, a profissionalização da gestão jurídica ganha força com o apoio de tecnologia, automação e análise de dados aplicadas à operação. Para Vinícius Marques, CEO e fundador da EasyJur, a adoção de Legal Ops deixou de ser uma iniciativa complementar e passou a integrar a estratégia dos escritórios que buscam manter margem, escala e qualidade na entrega. “O escritório de advocacia precisa ser gerido como uma empresa. Quem não domina seus dados e processos perde competitividade no mercado”, afirma.

Um dos principais gargalos ainda está nos fluxos de trabalho fragmentados, nos quais informações se dispersam entre planilhas, e-mails e controles paralelos. Segundo a EasyJur, essa desorganização pode consumir até 30% do tempo das equipes jurídicas em retrabalho.

A pressão por maior eficiência também aparece em estudos sobre o setor. De acordo com o Panorama de Tendências Jurídicas 2026, da Preâmbulo Tech, 61,4% dos profissionais jurídicos apontam os processos manuais como o principal gargalo da operação, o que reforça a demanda por digitalização financeira e operacional.

O levantamento também indica que a IA Generativa é hoje a prioridade estratégica para 63,6% dos respondentes, à frente da automação de documentos, citada por 59,1%, sinalizando que o setor busca tecnologia não apenas para ampliar produtividade, mas também para aumentar previsibilidade e reduzir custos operacionais.

Indicadores operacionais

Na base de clientes da EasyJur, os reflexos dessa agenda já aparecem em indicadores operacionais. Segundo a empresa, escritórios que adotaram a plataforma registraram aumento de 115% no volume de processos gerenciados sem necessidade de novas contratações, além de redução quase total nas perdas de prazo por falhas na leitura de diários oficiais, com apoio de automação e monitoramento por robôs.

A ferramenta centraliza etapas como CRM jurídico, captura automatizada de intimações e faturamento, além de permitir a automação de tarefas repetitivas, como montagem de peças simples e lançamentos financeiros, por meio de agentes de IA. Na prática, essas soluções podem automatizar até 80% das rotinas operacionais, segundo a empresa.

Para Marques, a tecnologia tende a ampliar a capacidade de gestão dos escritórios ao reduzir tarefas administrativas e organizar fluxos de trabalho. “O Legal Ops ajuda o escritório a sair de uma gestão improvisada para uma operação mais controlada e eficiente. Com processos definidos e apoio da tecnologia, o advogado consegue dedicar mais tempo à análise, ao atendimento do cliente e à estratégia do caso”, salienta.

A expectativa é de que, com o avanço desse modelo, decisões de gestão no setor jurídico passem a ser cada vez mais orientadas por dados operacionais, e não apenas pela percepção dos sócios sobre o desempenho da banca.

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