Klaus Riffel, CEO e fundador da doc9
Aumento de golpes de identidade leva escritórios e departamentos jurídicos a ampliar controle de acessos, autenticação e rastreabilidade de operações
Mais da metade dos brasileiros (51%) já foi vítima de algum tipo de fraude, segundo a edição mais recente do Relatório de Identidade Digital e Fraude, da Serasa Experian. O cenário segue em aceleração: no primeiro semestre de 2026, foram identificadas 2,86 milhões de tentativas de fraude de identidade, alta de 32,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a empresa. Para escritórios de advocacia e departamentos jurídicos, que lidam diariamente com certificados digitais, credenciais, documentos e informações processuais, o avanço dos golpes coloca a identidade digital no centro da estratégia de segurança.
Um dos reflexos desse cenário é o crescimento do chamado golpe do falso advogado, em que criminosos utilizam informações reais de processos para se passar por profissionais e abordar clientes. De 2024 a agosto de 2026, foram registradas 6.340 denúncias desse tipo em São Paulo, segundo dados divulgados pelo TRF3 e pela OAB-SP.
“O criminoso não precisa necessariamente invadir um sistema para aplicar um golpe. Muitas vezes, ele combina informações verdadeiras com uma identidade falsa e uma abordagem convincente. Por isso, segurança no jurídico precisa envolver também governança da identidade, controle de acessos e rastreabilidade das ações”, afirma Klaus Riffel, CEO e fundador da doc9.
A resposta do próprio Judiciário já passa por esse caminho. Desde novembro de 2025, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) exige autenticação em dois fatores para usuários externos do PJe, como advogados e partes, justamente como uma das medidas para reduzir fraudes envolvendo identidades falsas e uso indevido de credenciais.
Em março de 2026, o órgão também aprovou nota técnica favorável a um projeto de lei voltado à prevenção e ao combate ao golpe do falso advogado e a outras fraudes em processos eletrônicos.
Além da proteção de senhas
Para as organizações, a mudança significa ir além da proteção de senhas. A segurança passa a combinar autenticação multifator, gestão de certificados e credenciais, controle de permissões e registro das atividades realizadas nos sistemas.
“Quando uma identidade está vinculada a certificados, processos e documentos, qualquer falha nesse controle pode gerar consequências que vão muito além de um acesso indevido. É preciso saber quem acessou, com qual credencial e o que foi feito a partir dali”, completa Klaus Riffel.
O movimento acompanha a própria transformação digital do setor jurídico. Nesse ambiente, soluções de gestão de identidade e certificados digitais passam a integrar a estrutura de segurança das operações, permitindo maior controle sobre quem pode acessar informações e executar determinadas atividades
