Gleison Loureiro, CEO do AmbLegis
Com cerca de 860 novas normas em vigor por dia útil, companhias recorrem a tecnologias de compliance para gerenciar riscos legais, ganhar eficiência e blindar sua reputação
De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), desde a promulgação da Constituição de 1988 até o final de 2024, mais de 7,8 milhões de normas já foram editadas no país — o que representa cerca de 860 novas normas por dia útil. Manter a conformidade legal nesse ambiente se tornou um desafio estratégico para qualquer empresa.
O chamado “caos regulatório” brasileiro é apontado por especialistas como um dos principais entraves à competitividade, responsável por elevar custos, travar inovação e aumentar a insegurança jurídica. Nesse cenário, as regtechs, soluções tecnológicas voltadas à regulação, despontam como aliadas indispensáveis na proteção jurídica e na eficiência operacional.
Segundo levantamento da Grand View Research, o mercado global de regtech deve alcançar US$ 70,64 bilhões até 2030, com crescimento médio anual de 23,1% entre 2024 e 2030. A tendência reflete a necessidade de automatizar processos e integrar tecnologia à gestão de riscos legais, especialmente em setores altamente regulados como financeiro, agronegócio e indústria.
“No Brasil, onde temos mudanças regulatórias quase diárias, não é mais possível depender apenas de controles manuais ou da memória institucional. Compliance precisa estar digitalizado, integrado e auditável. É isso que garante agilidade e, ao mesmo tempo, proteção jurídica”, afirma Gleison Loureiro, CEO do AmbLegis, software especializado na gestão de requisitos legais e compliance ambiental.
Nesse contexto, os ganhos trazidos pelas regtechs vão além da conformidade legal e podem ser traduzidos em benefícios práticos para empresas de todos os portes e setores. Confira cinco deles:
1- Automação de processos: plataformas substituem controles manuais por sistemas digitais que reduzem falhas humanas e aceleram rotinas críticas. “O que antes levava dias em planilhas pode ser feito em minutos, com muito mais precisão”, frisa Loureiro;
2- Monitoramento automatizado: mudanças regulatórias passam a ser acompanhadas por sistemas que emitem alertas periódicos, evitando surpresas jurídicas. Isso dá segurança e previsibilidade às operações;
3- Rastreabilidade e auditabilidade: todos os registros ficam centralizados, documentados e prontos para uma auditoria externa. “É a diferença entre ter uma gaveta cheia de papeis soltos e um sistema que mostra o histórico completo de conformidade”, compara Loureiro;
4- Eficiência operacional: ao reduzir a burocracia, as equipes jurídicas e de compliance podem se dedicar a tarefas mais estratégicas, como antecipar riscos e apoiar a expansão do negócio;
5- Proteção jurídica e reputacional: além de evitar multas e embargos, as regtechs ajudam a blindar a imagem da empresa em um cenário em que investidores e consumidores cobram transparência real.
Uma das soluções que já comprovam esses resultados é o AmbLegis, que atua justamente nessa frente, oferecendo uma plataforma que centraliza obrigações legais, automatiza alertas e gera relatórios auditáveis em tempo real.
De acordo com Loureiro, o uso de regtechs já proporcionou a clientes reduções de até 80% nas não conformidades ambientais. “A tecnologia transforma o compliance em vantagem competitiva. Em vez de gastar tempo com burocracia, as empresas conseguem dedicar energia à inovação e ao crescimento com segurança”, completa o executivo.
As regtechs e a COP30
A proximidade da COP30, que acontece em novembro em Belém (PA), reforça ainda mais a relevância dessas soluções. Isso porque as discussões internacionais devem ampliar as exigências de transparência e rastreabilidade das práticas ESG no setor privado.
“Sem governança e compliance, qualquer iniciativa ambiental ou social corre o risco de ser interpretada como greenwashing. As regtechs são a ponte entre o discurso e a comprovação”, conclui Loureiro.
