Rodrigo Megna, Account Manager da SantoDigital
Usar ferramentas públicas de IA expõe dados sensíveis. A resposta não é proibir a tecnologia, mas adotar plataformas que operam em um ambiente seguro, privado e que dão ao escritório de advocacia total controle sobre seus dados.
O setor jurídico sofre continuamente com um volume crescente de contratos, processos, e-mails e regulamentações, o que exige respostas mais rápidas e precisas. A explosão de dados e a pressão por agilidade impulsionam a busca por soluções que combatam a baixa sincronicidade, o excesso de ferramentas, processos manuais lentos e a necessidade de capacitação. É neste contexto que a implementação da Inteligência Artificial se torna uma necessidade estratégica para escritórios e departamentos jurídicos no Brasil.
Os números reforçam essa demanda e mostram como essa inovação já é uma realidade consolidada – 55,1% dos profissionais de Direito no Brasil já utilizam IA generativa, de acordo com levantamento, deste ano, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção São Paulo, e 66% dos tribunais possuem projetos de IA em desenvolvimento ou uso, segundo dados de 2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Tão importante quanto aderir ao uso, é garantir a adoção segura e otimizada da tecnologia. Nesse sentido, Rodrigo Megna, Account Manager da SantoDigital, consultoria de negócios para serviços de computação em nuvem, reforça: “A IA não é um luxo, mas uma necessidade para a transformação jurídica. Ela permite que os advogados passem da sobrecarga de dados para a inteligência estratégica”.
A nova geração de Inteligência Artificial
De acordo com o especialista, a IA Generativa, que permite às máquinas entender pedidos complexos em linguagem natural, analisar grandes volumes de texto e gerar novos conteúdos como resumos, minutas e e-mails, é a chave para essa transformação.
No entanto, a segurança na era da IA é um “risco silencioso”. O custo médio de um vazamento de dados no Brasil pode chegar a R$ 7,19 milhões em 2025 (IBM), e diversas organizações já usam IA Generativa muitas vezes sem controle, expondo dados sensíveis e propriedade intelectual.
“O dilema entre risco e oportunidade é real. Usar ferramentas públicas de IA expõe dados sensíveis. A resposta não é proibir, mas adotar plataformas que operam em um ambiente seguro, privado e que dão ao escritório total controle sobre seus dados”, explica Megna.
Potencializando o advogado
Ele salienta que a IA não substitui o advogado, mas o potencializa, transformando-o em um consultor mais estratégico. Nesse sentido, as ferramentas práticas de IA oferecem duas principais capacidades:
- Análise inteligente e segura: uma ferramenta que atua como um “cofre” para documentos, 100% privada, sem fontes externas e com respostas confiáveis que citam a fonte exata dentro dos próprios arquivos do escritório. Um caso de uso prático é a análise contratual, onde uma tarefa que levaria 15 minutos manualmente é concluída em apenas dois minutos, com precisão total, representando uma redução de mais de 85% no tempo.
- Automação de tarefas repetitivas: a IA pode ser treinada para executar tarefas rotineiras, como a geração de notificações. Onde um processo manual para notificar 15 clientes inadimplentes consumiria cerca de uma hora, a IA gera 15 documentos personalizados em segundos, de forma padronizada e confiável.
A solução proprietária e seus benefícios
Para escalar esse poder com máxima segurança e contexto, o especialista indica a criação de uma solução de IA proprietária com o objetivo de unir o conhecimento de uma IA de ponta com décadas de arquivos e petições internas. Isso garante:
- Contexto: utilizando petições, contratos, pareceres, e-mails e documentos históricos como memória institucional;
- Segurança: nenhum dado sensível de cliente é exposto ou usado para treinar modelos externos;
- Confiança: respostas 100% fundamentadas nos documentos internos, com referências claras para auditoria;
- Informação atualizada: capacidade de realizar pesquisas na Web para obter dados sobre legislações e decisões recentes;
- Celeridade: respostas rápidas e eficazes para questões complexas;
- Ganho de produtividade: redução de custos e otimização do tempo da equipe;
- Consultoria estratégica: libera os advogados de tarefas operacionais para focarem na estratégia.
A Inteligência Artificial, portanto, não é apenas uma ferramenta inovadora, mas um imperativo estratégico para o setor jurídico. Ao adotar soluções de IA proprietárias e seguras, escritórios e departamentos jurídicos podem agilizar processos e automatizar tarefas repetitivas, sem abrir mão da integridade e confidencialidade de seus dados.
