Rafael Figueiredo, CEO Fundador da D4Sign by Zucchetti
Nos últimos anos, as startups jurídicas vêm automatizando um sem-número de tarefas, redefinindo o papel dos advogados e permitindo que eles atuem de forma mais estratégica, alinhada às novas demandas da sociedade
Com a expansão da Inteligência Artificial e das legaltechs, os profissionais do Direito passaram a adotar ferramentas digitais como aliadas estratégicas na gestão de processos, análise de dados e tomada de decisões, tornando o setor jurídico cada vez mais eficiente. De acordo com um levantamento do Future Market Insights, o mercado de tecnologia jurídica deve alcançar US$ 68,04 bilhões até 2034, refletindo o potencial transformador dessas soluções no cenário nacional e global.
Para se ter uma ideia, segundo a Associação Brasileira de Lawtechs & Legaltechs (AB2L), em 2017 existiam cerca de 20 startups jurídicas no país e hoje já são mais de 600, evidenciando um crescimento exponencial e consolidando o País como um dos maiores polos de inovação jurídica do mundo. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028, lançado em agosto, prevê investimentos de R$ 23 bilhões nos próximos quatro anos.
Em um país que concentra mais de 1,3 milhão de advogados e ultrapassa 106,9 milhões de processos em tramitação, as legaltechs se apresentam como soluções estratégicas para lidar com a sobrecarga judicial e promover eficiência.
Esse cenário de inovação e transformação será um dos destaques da Fenalaw 2025, principal evento jurídico do país, que acontece entre os dias 22 e 24 de outubro, em São Paulo. As legaltechs brasileiras estarão presentes para demonstrar como a Inteligência Artificial está sendo aplicada na prática, além de apresentar cases de sucesso e debater os rumos da advocacia digital.
Jus IA: inteligência jurídica para o dia a dia
Nesse cenário, o Jusbrasil, maior plataforma de inteligência jurídica do país, consolida-se como protagonista com iniciativas como o Jus IA, assistente jurídico desenvolvido para apoiar operadores do Direito.
A tecnologia tem como base documentos abertos do Poder Judiciário e fontes normativas oficiais, priorizando informações verificadas e autênticas. Cada resposta é acompanhada de referências claras e links diretos para as fontes originais, o que permite validar a procedência dos dados e aumenta a confiabilidade do conteúdo. Essa abordagem procura garantir precisão, transparência e integridade, atributos essenciais para a prática jurídica.
Desenvolvido com a abordagem Human-in-the-Loop, o Jus IA é continuamente aprimorado por especialistas em Direito, buscando unir agilidade a rigor técnico. A tecnologia conta ainda com o suporte do repositório do Jusbrasil, que reúne mais de 1,2 bilhão de documentos públicos, consolidando-se como a maior base jurídica do país.
“O avanço das legaltechs, aliado ao protagonismo do Jusbrasil, impacta diretamente o acesso à Justiça. Ferramentas como o Jus IA otimizam tempo, reduzem custos, aumentam a precisão e contribuem para que profissionais de diferentes portes possam atuar com mais eficiência”, destaca Gabriela Migliorini, Gerente de Produtos Jurídicos do Jusbrasil.
“Ao democratizar o acesso à tecnologia, as legaltechs brasileiras possibilitam que escritórios de todos os portes, e até profissionais autônomos, incorporem soluções antes restritas a grandes bancas. O resultado é um mercado mais competitivo, dinâmico e preparado para atender clientes que exigem agilidade, eficiência e transparência”, complementa.
D4Sign.AI: gestão e análise de contratos
A D4Sign by Zucchetti, plataforma de assinatura eletrônica e digital, sobressai no setor por meio da D4Sign.AI, solução que torna a gestão de contratos até sete vezes mais rápida, segura e eficiente, de acordo com a empresa.
A tecnologia estudou incontáveis Teras de jurisprudência brasileira. Assim, além de auxiliar na interpretação de documentos, gera insights estratégicos para tomada de decisões, criando um dashboard onde os contratos e documentos são catalogados, organizados e gerenciados com análises mais aprofundadas e insights, permitindo uma visão mais estratégica dos ativos jurídicos das empresas.
Segundo o CEO Fundador, Rafael Figueiredo, a ferramenta também permite identificar e resumir cláusulas, tirar dúvidas em tempo real e localizar informações específicas, como prazos e valores, sem a necessidade de uma releitura de todo material. Com isso, o tempo de fechamento de contratos pode ser reduzido em até 70%, agilizando negócios.
“O segmento jurídico é imenso e, cada vez mais, tem demandado soluções mais robustas que sejam capazes de trazer insights estratégicos para as suas fontes de uma maneira inovadora. Mais do que apenas acelerar rotinas, a Inteligência Artificial representa um passo importante na democratização do acesso à informação, transformando a relação das pessoas com este universo e tornando-o cada vez mais acessível e transparente para todos”, comenta o executivo.
Justine e Prognóstico Jurídico: otimização e previsibilidade
O Projuris, plataforma de inteligência legal da Starian, conta com a Justine, assistente virtual que otimiza pesquisas em um acervo de mais de 700 mil textos jurídicos, procurando oferecer rapidez e precisão. Quando o atendimento exige interação humana, a transição é feita de forma automática e integrada.
Outro recurso de destaque é o Prognóstico Jurídico, que utiliza algoritmos avançados de IA para prever cenários processuais. Essa funcionalidade apoia advogados e departamentos jurídicos na tomada de decisões estratégicas, com mais segurança e previsibilidade.
Durante a Fenalaw, Fernando Ribeiro, Diretor de Produto da Projuris, apresentará dois cases em parceria com clientes: um com o Grupo Protege, sobre como tornar o jurídico um departamento estratégico, e outro com a BW Advogados, que mostra como a tecnologia transformou sua rotina e seus resultados.
“Enxergamos a IA como uma aliada para aumentar a eficiência e a produtividade, automatizando tarefas repetitivas. Isto contribui para que o advogado se dedique a atividades de maior valor estratégico e seja orientado por resultados”, ressalta Fernando.
