Clarisse Frechiani Lara Leite, Diretora Administrativa da AASP
Magistratura e advocacia dialogam sobre as vantagens e os desafios colocados pela incorporação da IA ao cenário jurídico
Com a Inteligência Artificial (IA) se consolidando como uma das ferramentas mais transformadoras em diversos setores, o Direito não fica de fora dessa revolução. Automação de processos e realização de análises são algumas das principais aplicações da tecnologia na Advocacia. Nesse cenário, o 16º Encontro Anual da AASP – Associação dos Advogados de São Paulo reuniu especialistas na manhã da sexta-feira, dia 29, em Campos do Jordão (SP), para discutir os impactos, riscos e oportunidades do uso da IA na prática jurídica.
Logo na abertura da primeira plenária, Clarisse Frechiani Lara Leite, Diretora Administrativa da AASP, ressaltou o potencial transformador da IA e sua relevância no contexto atual. “É um paradoxo começar o encontro com esse tema. Por um lado, ainda valorizamos o presencial, as relações humanas, a escuta. Por outro, a IA tem um grande potencial de melhorar nossas vidas, proporcionando mais tempo para essas interações”, afirmou.
O ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro, em sua palestra, abordou a aplicação da IA no Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Armazenar informações sempre foi um desejo humano, visando o desenvolvimento da humanidade. No STJ, estamos avançando na utilização da IA para lidar com a enorme quantidade de processos”, explicou.
A juíza Caroline Somesom Tauk trouxe à tona a ferramenta ApoIA, destacando a diferença entre IA Generativa e outras tecnologias específicas do meio jurídico. “Ferramentas inteligentes já são usadas pelos tribunais há anos. O que se observa é uma ampliação da utilização dessas tecnologias para tarefas simples, como categorização e triagem de processos, que consomem muito tempo dos servidores”, comentou.
Encerrando o painel, o professor Marcel Leonardi, da GVlaw, e colaborador na elaboração do Marco Civil da Internet e da LGPD, discutiu os cenários futuros da IA no Direito, explicando como essas ferramentas funcionam na prática.
“É fundamental entender que ferramentas como o ChatGPT são apenas sistemas de autocomplete, treinados em grandes volumes de dados para reconhecer padrões. Embora a tecnologia seja indispensável, é importante lembrar que ela não possui raciocínio nem a bagagem jurídica necessária para tomar decisões complexas”, alertou.
O evento reforçou a importância de se manter um debate público e qualificado sobre o uso da IA no sistema judiciário, destacando tanto suas vantagens quanto seus desafios.
