Alto nível de judicialização favorece expansão do Legal Ops na área de Direito

Alexandre Pegoraro, CEO da Kronoos

Hoje, no Brasil, a prática de Legal Ops é comum não apenas em grandes corporações, mas também em escritórios de advocacia de médio porte que buscam maior eficiência operacional, redução de riscos e otimização de custos

Considerado o detentor do sistema judiciário com o maior número absoluto de processos do mundo, o Brasil tem registrado nos últimos anos o crescimento do conceito Legal Ops, apontado como uma resposta à necessidade de uso estratégico de dados para a gestão eficiente de recursos e digitalização de processos tanto nos escritórios de advocacia quanto nos departamentos jurídicos das empresas. De acordo com a pesquisa Legal Operations: Perspectivas de inovação e gestão jurídica, realizada pelo Centro de Ensino e Pesquisa em Inovação (CEPI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV Direito SP), o número de organizações que afirmaram ter adotado o método cresceu de forma exponencial entre 2020 e 2024.

O CEO do Kronoos, Alexandre Pegoraro, comenta que a prática de Legal Ops surgiu nos EUA e na Europa, nos anos 1990, em grandes empresas que buscavam reduzir riscos e otimizar custos jurídicos. Segundo ele, a partir dos anos 2000, com o avanço da tecnologia, a função evoluiu para uma atuação mais analítica e estratégica.

“Hoje, departamentos de Legal Ops são comuns não apenas em grandes corporações, mas também em escritórios de médio porte que buscam maior eficiência operacional. No Brasil este uso estratégico da tecnologia e da digitalização se faz mais necessário do que em qualquer outro lugar devido à excessiva judicialização que só faz crescer o volume de casos nos tribunais”, afirma.

Segundo o Relatório anual do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – Justiça em Números – do ano passado, em 2023 o sistema judiciário brasileiro alcançou a soma de 84,2 milhões de processos ativos, o que corresponde a aproximadamente um processo para cada 2,5 brasileiros.

Pegoraro afirma que geralmente o setor de Legal Ops instalado em uma empresa é liderado por um CLOO (Chief Legal Operations Officer). Esse executivo é responsável pela eficiência das atividades administrativas, pela adoção de novas tecnologias e pelo desenvolvimento das práticas de gestão e inovação. “Além disso, o CLOO atua como um elo entre o departamento jurídico e a alta administração da empresa, alinhando os objetivos jurídicos às metas corporativas.

Benefícios para os negócios

O executivo avalia que implementar práticas de Legal Ops traz benefícios concretos para os negócios, como a melhoria da performance do time jurídico, por meio de automação e processos mais inteligentes, uma atuação mais estratégica e orientada por dados, a redução de custos operacionais, além de ganhos de eficiência e segurança nos processos.

O estudo da FGV afirma que, entre os anos de 2016 e 2019, o Legal Ops no Brasil estava mais restrito aos departamentos jurídicos das empresas, mas a partir de 2020 houve um avanço também entre os escritórios de advocacia, o que viabilizou a disseminação do conceito de uma forma mais acelerada pelo país até 2024.

De acordo com os autores do trabalho, “a área de Legal Ops pode contribuir para o atingimento das metas da organização, inclusive sendo estratégica para tal fim, de forma a reforçar a segurança institucional, gerar mais eficiência operacional, ajudar a promover maior alinhamento entre as atividades do dia a dia e o planejamento estratégico predefinido, aumentar a credibilidade perante os clientes externos e melhorar o relacionamento com os clientes finais”.

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