Reforma Tributária e avanço da IA redefinem a lógica da gestão empresarial

Odair Behnke, Gestor de Operações com o Mercado da WK

Convergência entre a nova estrutura fiscal no Brasil e o avanço da Inteligência Artificial pressiona organizações a reverem processos, tecnologias, estratégias e tomadas de decisão

A coincidência entre a Reforma Tributária e o avanço acelerado da Inteligência Artificial (IA) está criando um novo ambiente de negócios no Brasil, mais dinâmico, integrado e exigente. O momento representa mais do que uma mudança nas regras fiscais – é uma reconfiguração estrutural das empresas, com impactos que vão da formação de preços à gestão de caixa, passando por compras, vendas, controladoria e tecnologia.

Se, por um lado, a reforma simplifica tributos e altera a lógica de arrecadação, por outro, exige um nível de controle e integração de dados que muitas organizações ainda não possuem. A nova dinâmica, que inclui mecanismos como o split payment (em que parte do valor pago pelo cliente é direcionado automaticamente ao governo), reduz o capital de giro das empresas e aumenta a necessidade de previsibilidade financeira em tempo real.

“Por isso, a Inteligência Artificial já é tida como infraestrutura básica para a gestão, tanto nessa fase de transição como para quando as regras fiscais já estiverem consolidadas. Ferramentas baseadas em IA permitem automatizar conciliações, acompanhar créditos tributários, revisar classificações fiscais e apoiar decisões estratégicas com base em dados atualizados”, explica Odair Behnke, Gestor de Operações com o Mercado da WK, empresa que desenvolve ERPs para gestão.

Maior exposição das empresas

Outro efeito relevante da reforma é a ampliação da exposição das empresas ao Fisco. Com processos cada vez mais digitais, erros operacionais tendem a ser identificados com mais rapidez, elevando o risco de penalidades.

Ao passo que muitas empresas ainda operam com baixa maturidade de dados e processos fragmentados, a nova estrutura tributária exige rastreabilidade completa das operações, conciliações imediatas e integração direta com sistemas governamentais.

“A principal mudança está no caráter transversal da reforma. Não se trata apenas de adequação fiscal. Estamos falando de uma transformação que exige revisão de processos, áreas do negócio interligadas e uma nova lógica de tomada de decisão que vai influenciar a competitividade”, avalia o especialista.

Dados da consultoria Gartner indicam que, até 2028, 15% das decisões globais de trabalho serão tomadas de forma autônoma, por meio de IA. Para se alinharem a essa tendência, as empresas brasileiras precisam, inevitavelmente, revisar sua base tecnológica.

“Investir em sistemas capazes de integrar áreas, garantir consistência de dados e incorporar recursos de Inteligência Artificial é uma necessidade imediata e determinante para a adaptação à Reforma Tributária”, conclui Behnke.

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