Maria Cibele Crepaldi Santos, Sócia do Costa Tavares Paes Advogados, e Michel Berruezo, Diretor de Estratégias e Legal Counsel do Pellegrina & Monteiro Advocacia
Escritórios Pellegrina & Monteiro Advocacia e Costa Tavares Paes Advogados estão acelerando processos internos e obtendo ganhos de produtividade com a implantação de IA
O uso da IA Generativa nos diferentes setores da economia é incontestavelmente um caminho sem volta. Na área jurídica, por se tratar de uma das que mais demandam rapidez na análise de documentos e em outras tarefas, com garantia de segurança, não seria diferente.
Segundo relatório da OAB-SP, Jusbrasil, Trybe e ITS-Rio, publicado em fevereiro de 2025, 55,1% dos advogados utilizam IA jurídica regularmente, 28,8% afirmam não usar e 16,1% o fazem esporadicamente.
Entre os usos principais estão análise de documentos, criação de peças jurídicas e pesquisa de jurisprudência e doutrina. No que diz respeito à frequência de uso, 78% dos usuários a empregam ao menos uma vez por semana e 93% acreditam que a utilização da IA jurídica aumentará no próximo ano.
Para reforçar a proteção dos dados, entre outras prioridades, o escritório Pellegrina & Monteiro Advocacia, de São Paulo, adotou ferramentas de Inteligência Artificial no modelo “Enterprise”, garantindo que buscas e análises sejam feitas apenas a partir de documentos internos, sem acesso público ou compartilhamento externo.
Segundo Michel Berruezo, Diretor de Estratégias e Legal Counsel do escritório, essa abordagem reduz riscos de sigilo e aumenta a precisão das informações jurídicas, evitando “alucinações” comuns em IAs abertas.
A IA é integrada ao workflow do escritório (“Agentic AI”), realizando leitura e extração de dados de documentos como atas de audiência e sentenças. Após testes, a ferramenta apresentou quase 80% de acerto, processando grupos de 50 documentos em pouco mais de dois minutos.
“A expectativa é de que a ferramenta seja integrada ao fluxo de revisões da banca, não substituindo advogados e estagiários, mas sim atuando em demandas repetitivas, com extração e consolidação de dados e informações, para posterior análise, validação e valoração por um ser humano”, detalha o diretor.
A preocupação não é somente com o gancho de eficiência e redução de erros humanos, mas também com a experiência do usuário, que poderá se voltar a outras tarefas jurídicas mais criativas, em que o olhar humano é indispensável, como julgamentos, por exemplo.
“Apesar de ainda não redigir documentos, o modelo garante uma análise eficiente e segura, reforçando a importância de uma implementação controlada da tecnologia no ambiente jurídico”, assinala Berruezo.
Gestão de tempo e pesquisas
De seu lado, o Costa Tavares Paes Advogados tem se valido da IA para gestão de tempo em suas tarefas repetitivas, pesquisas em geral, leitura, resumo e elaboração de documentos.
O escritório foi o primeiro a utilizar a ferramenta Ask IManage, mas emprega também o CoPilot, da Microsoft. O Ask IManage está sendo implementado na base de dados e conhecimento do CTP, gerenciando todos os documentos do escritório. A ideia tem sido fazer a ferramenta se comunicar com o CoPilot, personalizando a experiência da banca.
Neste momento, o Costa Tavares Paes tem duas equipes fazendo testes com ferramentas de IA com vistas a integrar toda a base de conhecimento (biblioteca de obras, de documentos, de opiniões legais etc.) nas soluções que escolheram utilizar.
“A IA ajuda na avaliação das evidências, ao permitir a leitura de grande quantidade de documentos em pouco tempo e ao evitar eventuais falhas de atenção na busca das evidências”, diz Maria Cibele Crepaldi Santos, sócia do banca. “Lembramos, contudo, que alguém tem que imputar o dado correto, necessário, acurado, para que a IA desempenhe o seu papel”, complementa.
