Como vencer o ceticismo do mercado jurídico e atrair investimentos para as legaltechs no Brasil

Patrícia Carvalho, CEO e cofundadora da DeltaAI e da Forum Hub

Um modelo de negócio escalável, com benefícios concretos como redução de custos e prevenção de litígios, é essencial para realizar fundraising voltado para as legaltechs, especialmente em um mercado projetado para alcançar US$ 68,04 bilhões globalmente até 2034, segundo o Future Market Insights.

A captação de recursos, ou fundraising, é um processo estratégico fundamental para as legaltechs no Brasil. Em um setor tradicionalmente conservador, a DeltaAI, legaltech brasileira especializada em Inteligência Artificial, entende que captar investimentos no setor jurídico requer traduzir o “juridiquês” em uma linguagem clara para investidores, enfatizando tempo, dinheiro, risco e escala.

A empresa destaca que um modelo de negócio escalável, com benefícios concretos como redução de custos e prevenção de litígios, é essencial para realizar fundraising, especialmente em um mercado projetado para alcançar US$ 68,04 bilhões globalmente até 2034, segundo o Future Market Insights.

Esse cenário promissor tem impulsionado legaltechs brasileiras a captarem recursos para acelerar sua expansão e inovação. Nos últimos meses, três startups do setor captaram, juntas, mais de R$ 5 milhões em rodadas de fundraising.

A Intelijus levantou R$ 2,8 milhões em uma rodada pré-seed liderada pela Vinci Ventures, com destaque para o lançamento da agente jurídica autônoma LIVIA. A empresa é liderada por Vinícius Espíndula Brasileiro, CEO e cofundador.

A Bits, por sua vez, arrecadou R$ 1,8 milhão em uma rodada que combinou capital financeiro e media for equity, liderada pelas Quintal Ventures e Levain Ventures, tendo como cofundadores Erik Nybo e Mariana Moreno.

Já a Jurídico.AI, que desenvolveu um assistente jurídico treinado com base na legislação brasileira, captou R$ 800 mil em uma rodada anjo, liderada pelo CEO, Cesar Orlando.

Para Patrícia Carvalho, CEO e cofundadora da DeltaAI e da Forum Hub, a chave está em mostrar que o jurídico pode ser um centro de estratégia e não apenas de custo. “Fundraising em legaltechs não é simples. O setor ainda carrega a imagem de ser lento e pouco escalável”, constata.

“A verdade é que estamos diante de um mercado gigantesco, com ineficiências estruturais que a tecnologia pode resolver. Mas não adianta só ter uma boa ideia jurídica. É preciso embalar essa ideia com um produto escalável, com uma tese clara de economia real para empresas”, conclui.

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