Fernando Brolo, Especialista em TI e CSMO da Logithink
Pesquisa V360 revela que maioria das companhias não está preparada para as mudanças que entram em vigor em breve, criando um cenário de “caos tributário” que pode travar o faturamento e comprometer os negócios
Faltando pouco tempo para o início da transição da Reforma Tributária, pesquisa V360 revela um dado alarmante: 72% das médias e grandes empresas do país não estão preparadas para as mudanças que entram em vigor em janeiro de 2026. Para especialistas, o cenário não é apenas preocupante – é um prenúncio de caos operacional que pode travar o faturamento e comprometer as operações das companhias.
O principal risco, segundo o Especialista em TI e CSMO da Logithink Fernando Brolo, não está onde a maioria das empresas está focando. Enquanto a atenção se volta para a capacidade de emitir a nova Nota Fiscal Eletrônica, o verdadeiro “calcanhar de Aquiles” está no processo de entrada de documentos.
“As empresas estão subestimando a complexidade de receber e processar as notas de seus fornecedores, que virão com cerca de 200 novos campos. Se o sistema de gestão (ERP) não souber ler e validar essas informações, o processo simplesmente para”, alerta ele.
O especialista detalha que as consequências práticas desse gargalo vão desde a mercadoria parada na portaria e a incapacidade do Contas a Pagar em liquidar a fatura até, o mais grave, a empresa não aproveitar os créditos tributários, gerando um impacto direto no fluxo de caixa.
Perigosa percepção
A pesquisa, que ouviu 355 companhias de setores como varejo, indústria e agronegócio, expõe que 33,2% das empresas nem sequer discutiram internamente os impactos da Reforma. Para Brolo, isso se deve a uma perigosa percepção equivocada sobre os prazos. “Muitos gestores olham para a data final de 2033 e criam uma falsa sensação de segurança. Isso é um erro estratégico fatal”, alerta ele.
A verdade é que a “alíquota de teste” de 2026 já exige que todo o sistema esteja 100% funcional, operando em regime duplo com os tributos antigos e os novos. “A virada de chave não é em 2033, é em janeiro de 2026”, reforça o Head de Consultoria e especialista em Tributação da Logithink, André Lay.
O estudo da V360 corrobora a análise, apontando que apenas 28,1% das companhias possuem um plano de adaptação estruturado, enquanto a maioria (47,9%) ainda opera com processos fiscais pouco automatizados.
Diante da iminência dos prazos, os especialistas da Logithink traçam um roteiro de ações emergenciais para os gestores que se encontram entre os 72% despreparados. Eles recomendam a criação imediata de um comitê de urgência que reúna líderes das áreas de TI, Fiscal, Financeira e de Suprimentos, pois a responsabilidade é multidepartamental.
Diagnóstico do nível de aderência
A partir daí, é preciso conduzir um diagnóstico para avaliar o nível de aderência dos sistemas e processos atuais, identificando os gaps e o tamanho do esforço necessário. O ponto mais crítico, segundo Brolo, é o replanejamento do orçamento, já que muitas empresas não provisionaram o projeto.
“Quando a urgência bater à porta, encontrarão um mercado com demanda altíssima, poucos profissionais qualificados e custos inflacionados. Este não é um custo, é um investimento na continuidade do negócio”, enfatiza.
A contagem regressiva não aponta apenas para um abismo de riscos, mas para uma bifurcação estratégica, como ressalta Brolo. De um lado, ficarão as empresas que, por inércia, enfrentarão o “apagão fiscal” e suas consequências operacionais. Do outro, estarão aquelas que enxergarem além da obrigação.
Para estas últimas, o investimento se converterá em uma vantagem competitiva duradoura, pavimentando o caminho para um negócio mais eficiente, automatizado e com uma governança de dados muito superior à dos seus concorrentes. No novo cenário tributário, a conformidade deixará de ser um custo para se tornar o próprio motor da competitividade.
