Plataforma conecta advogados e clientes, buscando democratizar o acesso da população à justiça de qualidade

Marcelo Callegari, CEO da Justiça Express

Legaltech Justiça Express já recebeu mais R$ 2,5 milhões de investimento e hoje conta com mais de 3.000 profissionais parceiros

Facilitar o processo da justiça em pequenas causas e democratizar o acesso da população a um apoio jurídico de qualidade. Estes são os principais objetivos da Justiça Express, empresa de tecnologia que conecta pessoas a advogados, criada, em 2016, por Marcelo Callegari, hoje CEO. A ferramenta desenvolvida pela legaltech já atendeu milhares de pessoas na região da Grande São Paulo e tem perspectivas de, até janeiro de 2020, oferecer o seu serviço em todo o país.

A ideia de criar a Justiça Express surgiu quando Callegari, que é advogado e mora há sete anos nos Estados Unidos, começou a buscar especializações e se deparou com os conceitos de legaltech e lawtech. “Me apaixonei por estes sistemas inteligentes, que oferecem uma maior agilidade e quantidade de informações que facilitam não só a vida dos advogados, mas também de seus clientes. Passei, então, a visitar algumas dessas empresas para entender melhor o seu funcionamento”, conta.

A partir disso, com o objetivo de abrir sua própria legaltech no Brasil, deu início ao desenvolvimento de seu MVP (Mínimo Produto Viável) e, logo em seguida, começou a operar o seu novo negócio, em abril de 2016. Inicialmente, apenas com três advogados cadastrados para realizar os atendimentos na plataforma, hoje já conta com mais de 3.000 profissionais parceiros, especializados em diferentes áreas do Direito.

Para iniciar suas operações, a Justiça Express recebeu um investimento inicial de R$ 260 mil da M.A.I.A.S. Partners, empresa americana responsável por investimentos em plataformas de tecnologia de diferentes países. De lá até hoje, já foram investidos R$ 2,5 milhões para o aprimoramento da ferramenta e atuação da empresa.

Funcionamento da plataforma

Justamente para democratizar o acesso à justiça, o procedimento necessário para utilizar a plataforma é muito simples, de acordo com Callegari. “Basta cadastrar sua ‘reclamação’ no site. Ela passará, primeiramente, por uma avaliação que determinará se o caso faz sentido ou não para uma providência jurídica. Se fizer, o advogado entra em contato diretamente com o cliente lesado para dar andamento à ação”, explica. E, mesmo aqueles que fazem reclamações sem embasamento jurídico para uma ação recebem orientações.

Para tornar esse processo mais rápido, a Justiça Express também está aprimorando uma tecnologia para a identificação de palavras-chaves, o que facilitará a qualificação das reclamações recebidas e o direcionamento ao advogado mais adequado. “Hoje, já levamos em consideração fatores como localização geográfica, tipo de ação e capacidade do profissional na hora de unir o cliente com um advogado”, acrescenta Callegari.

Antes focada apenas em direito do consumidor, a plataforma expandiu suas áreas de atuação a partir de uma crescente demanda de público. Das ações atendidas por meio da Justiça Express, 65% ainda dizem respeito a esta área, enquanto 18% tratam de direito civil e 12,5% da família. Mas, segundo o empresário, “os principais diferenciais da ferramenta são a isenção de custo caso a ação não seja ganha e a análise rigorosa pela qual os profissionais cadastrados na plataforma passam para que um serviço de qualidade seja garantido”, sinaliza.

Callegari explica que o faturamento da plataforma se dá por meio de um percentual cobrado do advogado responsável pela ação. “A partir do momento em que conectamos cliente e profissional, este toca o processo e, em caso de êxito, a Justiça Express recebe parte do valor que o advogado ganhou pelo serviço prestado.”

Tecnologia no segmento jurídico

Lado a lado com outras startups, as legaltechs também se mostram promissoras no mercado mundial. De acordo com o Crunchbase, por exemplo, US$ 825 milhões foram investidos na área em 2018 – o que representa um aumento de 170% em relação ao ano anterior. Diante desse cenário, Callegari acredita que os advogados devem estar cada vez mais abertos à tecnologia e dispostos a encontrar alternativas que levem em consideração a mudança de comportamento da sociedade – que está cada vez mais digital – na hora de prestarem seus serviços.

“O número de lawtechs no Brasil não para de crescer e, nos próximos anos, é provável que a tecnologia se sobreponha ao Direito. Portanto, é preciso se adaptar. Os número de advogados se formando não param de crescer, mas a demanda de trabalho no formato mais tradicional não aumenta proporcionalmente. A adaptação com o auxílio de novas soluções tecnológicas pode ser a chave para o sucesso na carreira”, afirma Callegari.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *