Para neurocientista, a IA é “um dos maiores engodos que a humanidade já produziu”

Miguel Nicolelis, médico e neurocientista (crédito da foto: ICL) 

Argumentando que os grandes atributos da mente humana não são computáveis pela lógica digital, Miguel Nicolelis afirma que a IA não é nem inteligente, nem artificial

Em uma palestra aplaudida de pé pelo público que lotou o Vibra São Paulo no sábado, dia 20 de setembro, em evento do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), o médico e neurocientista Miguel Nicolelis, um dos mais respeitados da atualidade em sua área, apresentou algumas de suas ideias sobre o que chamou de “um dos maiores engodos” que a humanidade já produziu: a Inteligência Artificial (IA). “Na verdade, eu chamo de NINA – nem inteligente, nem artificial”, resumiu o estudioso, que explicou o conceito que apresentará em seu novo livro, que levará a sigla no nome.

“Estou escrevendo a biografia da NINA. Esse acrônimo descreve a visão da vasta maioria dos neurocientistas sobre a maior venda de snakeoil, o óleo de cobra, termo que os americanos usam para descrever o que é enganação”, assinalou. Segundo o estudioso, nem os próprios neurocientistas têm como descrever precisamente o que é a inteligência, pois não há como quantificar o processo neurobiológico que gera esse fenômeno.

“Os grandes atributos da mente humana não são computáveis pela lógica digital, porque nenhum de nós é um computador digital. Nenhum ser humano se comportou como uma Máquina de Turing, que é o nome original do sistema digital”, disse durante sua palestra. “O que a gente [neurocientistas] chama de inteligência não tem a ver com o que os overlords do Silicon Valley chamam de IA, até porque nenhum deles sabe o que está produzindo”, completou.

A IA vai enfraquecer o cérebro humano?

Médico e neurocientista, Nicolelis lembrou que o cérebro humano, assim como o corpo, funciona à base do uso de energia. “Quanto mais a gente delega funções para a máquina, vamos perdendo atributos cognitivos e o cérebro vai percebendo que não precisa mais gastar energia com isso”, explicou o pesquisador. “Quem hoje sabe de cor dois ou três telefones?”, brincou, lembrando que essas mudanças de hábitos podem transformar também o funcionamento da mente humana.

Se a máquina é ou será capaz de replicar o cérebro humano, Miguel Nicolelis foi categórico ao afirmar que isso não vai acontecer. “O meu medo não é a replicação do cérebro humano pela máquina. Isso nunca vai acontecer, vai contra as leis da física. O cérebro humano não funciona na lógica digital”, contextualizou.

Nicolelis lembrou que os Large Language Models (LLMs) usam o passado para moldar o futuro e que todos “alucinam”, ou seja, produzem respostas sem sentido ou completamente dissociadas da verdade. “Eles não têm nenhum compromisso com a verdade ou com a acurácia”, acrescentou.

 

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