Victor Rizzo, CEO da INOV.AI
Solução brasileira Legal Artificial Intelligence Solution (L.A.I.S.), desenvolvida pela INOV.AI, visa reduzir custos e aumentar a precisão na análise de intimações, transformando a cultura fundada no trabalho manual
Enquanto o Judiciário brasileiro acumula mais de 80 milhões de processos em tramitação, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ, 2024), os escritórios de advocacia enfrentam um desafio estrutural: como manter a eficiência e qualidade diante da sobrecarga, aumento de custos contínuos e valores de honorários por processo decrescentes, por causa do aumento da competição? Apostando na resposta a essa pergunta, a INOV.AI desenvolveu uma ferramenta de Inteligência Artificial que busca transformar o trabalho jurídico com mais rapidez, economia e acurácia.
Batizada de Legal Artificial Intelligence Solution (L.A.I.S.), a ferramenta já atrai a atenção do setor. Segundo Victor Rizzo, CEO da INOV.AI, a tecnologia é capaz de reduzir em até 50% os custos com análise de intimações judiciais, ao mesmo tempo em que entrega resultados com 94% de acurácia, nível superior aos 80% obtidos normalmente por humanos treinados. “Isso rompe a barreira cultural de advogados, que acreditam que seres humanos são um paradigma de qualidade”, assinala Rizzo.
“É um modelo que rompe com a lógica atual, na qual o custo médio por análise de uma publicação gira entre R$ 2,10 e R$ 2,30, com a produtividade caindo pela metade no fim do expediente, pelo cansaço”, explica o especialista. Ele destaca que a alta rotatividade de equipes, os erros manuais e a dificuldade de escalar operações durante picos de demanda tornam o sistema tradicional, que é analógico, insustentável. “A L.A.I.S. nasce para resolver esse gargalo com inteligência, precisão e velocidade”, garante ele.
Diferentemente dos sistemas concorrentes, que conseguem classificar até 12 categorias de intimações, a ferramenta da INOV.AI reconhece 28 tipos distintos. Isso inclui tutelas concedidas ou revogadas, modalidades de audiência (presencial ou virtual), prazos críticos, sentenças homologadas ou improcedentes, entre outros status processuais relevantes.
“Não é só automação. A L.A.I.S. entrega leitura precisa e profunda. Por exemplo, ela consegue identificar classificações que um humano, em uma leitura básica, não consegue identificar. A solução também acelera a resposta: enquanto o modelo tradicional de classificação manual por um advogado pode levar horas para processar informações, o sistema baseado em IA faz isso em minutos”, ressalta o CEO.
Impacto no mercado
O impacto no mercado já começa a ser sentido. Um dos primeiros clientes da L.A.I.S. já está obtendo uma economia de dezenas de milhares de reais por ano com a adoção da ferramenta. “É um divisor de águas para o escritório, que está crescendo de forma acelerada, investindo em inovação, sem aumentar sua equipe, para refrear o aumento de custos”, avalia Rizzo.
No entanto, apesar dos avanços da IA, o mercado jurídico ainda apresenta resistências. “Alguns escritórios insistem em manter o modelo manual, mas a crise de eficiência e as margens cada vez mais apertadas dos escritórios de advocacia estão forçando a mudança de cultura”, argumenta o CEO. Uma pesquisa recente do CNJ aponta que 67% dos advogados enxergam a Inteligência Artificial como uma aliada complementar, e não uma substituta.
“A IA não vai substituir os advogados. Mas certamente advogados que usam IA irão substituir advogados que não usam”, prevê Rizzo. Classificar 28 status diferentes, mantendo acurácia elevada e constante, argumenta ele, permite ao escritório crescer de forma consistente e absorver novas carteiras sem queda na qualidade.
“É um salto que o modelo manual não consegue oferecer”, resume o especialista. “Estamos apenas na primeira versão. Em breve teremos um maior número de classificações para oferecer aos nossos clientes”, conclui.
