Breno Barros, diretor global de Inovação e Negócios Digitais da Stefanini
Os grandes projetos com Blockchain, na prática, vão começar a ganhar escala em 2021, quando haverá muitas provas de conceito. Basta identificar novas possibilidades e oportunidades de negócios para a tecnologia.
Breno Barros (*)
A tecnologia Blockchain está em um processo inicial de validação de alguns conceitos. No entanto, ainda que esteja com a maturidade em formação, ela pode resolver alguns tipos de demandas no campo dos negócios.
Neste ciclo, a desconfiança é um grande aliado das implementações, quando se exige que tudo seja checado e rechecado para evitar dores de cabeça futuras. Um caso prático, por exemplo, pode ser visto na Reforma Trabalhista, no termo de quitação, que vai exigir que empresas recolham anualmente uma certidão positiva de todos os colaboradores. Então, por haver muita papelada, e por ser uma relação que vai ser auditada pelo Ministério do Trabalho, há muita desconfiança. Porém, como os dados são invioláveis no Blockchain, pode-se atestar que são confiáveis.
Enxergo um grande potencial nesta tecnologia. Olhando para o agrobusiness, que responde por uma boa parte do PIB (Produto Interno Bruto), é onde eu acredito que há uma oportunidade de garantir que a produção de suprimentos, como carnes e grãos, tenha qualidade. Ainda mais em uma era de conscientização, em que a população quer mais informações, quer ter garantia de qualidade, sobretudo com maior adoção de alimentos orgânicos.
Atualmente, já vemos um trabalho sendo realizado neste setor, com provas de conceito. A parte tecnológica é simples de implementar. O custo das plataformas ainda está nessa fase de validação, mas poderemos ver o amadurecimento disso a curto prazo.
Outro ramo com espaço para uso da nova tecnologia é a indústria têxtil, que tem muitas questões complexas envolvidas. Ali, o Blockchain pode ter uma aplicação importante, obviamente combinada com outras tecnologias como reconhecimento de imagens, a fim de verificar, por exemplo, se em uma fábrica os trabalhadores não operam em regime de escravidão. Tudo isso pode ser alimentado no Blockchain para trazer segurança. Vemos que no Brasil existe um potencial muito bom no segmento de peças também, onde esta tecnologia pode ajudar o mercado de reciclagem de produtos.
Creio que os grandes projetos, na prática, vão começar a ganhar escala em 2021 e teremos um ano de muitas provas de conceito. As plataformas estão prontas. Basta identificar novas possibilidades e oportunidades de negócios para a utilização efetiva da tecnologia.
Mercado de criptomoedas
Há, sim, um futuro promissor para o mercado de criptoativos se considerarmos a questão da confiança, mas, na minha opinião, as criptomoedas precisam ser desmistificadas, pois elas são moedas, e não um investimento. Você não investe em moeda, moeda é moeda. Você aplica em investimentos, em um portfólio, entre outras opções.
Seja como for, estamos caminhando para atingir uma maior aderência. É possível que no ano que vem o Banco Central vá permitir que o brasileiro tenha multimoedas, como ocorre no Uruguai. Aí, então, teremos em conta dólares, reais, euros e outros tipos de criptomoedas que possam entrar ali para acelerar o processo. Isso pode desmistificar um pouco as criptomoedas e acelerar sua adoção no Brasil e no Exterior.
Todo o mercado, de alguma forma, está olhando para encontrar um business. Os bancos não enxergam as criptomoedas como investimento dentro de um portfólio, mas é fundamental formar uma rede.
Porém, qual é o benefício real para o cidadão de uma moeda como o bitcoin, que hoje já é aceita por alguns lojistas do varejo? Entendo que ainda há uma mudança de mindset a fazer para que as criptomoedas sejam confiáveis e realmente aplicáveis. O custo para se usar bitcoin para tomar um café, por exemplo, ainda não se paga.
Essa evolução precisa acontecer para viabilizar o seu uso de uma forma mais cotidiana. Os bancos estão tentando resolver este problema, trazendo esta práticas para o dia a dia das pessoas. Entretanto, as criptomoedas ainda não permitem essas facilidades.
(*) Diretor global de Inovação e Negócios Digitais da Stefanini