A urgência da cibersegurança no Brasil: a inação não é mais uma opção

Os riscos estão mapeados e as soluções de proteção estão disponíveis. O que falta é decisão nas empresas, que precisa envolver lideranças executivas e conselhos, com políticas de segurança integradas à governança corporativa.

Daniel Tieppo (*)

Os ataques recentes ao Banco Central e às plataformas de pagamentos não são episódios isolados. Eles expõem uma fragilidade estrutural que ameaça a confiança no sistema financeiro nacional. O cenário deixa claro que não há mais espaço para improviso: cibersegurança não é custo, é sobrevivência.

Um dos maiores desafios é a escassez de profissionais qualificados. De acordo com a Fortinet, o Brasil precisa de mais de 500 mil especialistas apenas para atender à demanda atual. Esse déficit se torna ainda mais preocupante com a ascensão da Inteligência Artificial como componente central das estratégias de defesa digital, exigindo novas competências que ainda não estão disseminadas no mercado.

A boa notícia é que a própria IA pode ser usada como aliada na capacitação. Simulações de ataques, treinamentos dinâmicos e certificações inteligentes já permitem acelerar a formação de especialistas e reduzir a curva de aprendizado das equipes. Longe de substituir o humano, a tecnologia potencializa sua capacidade de resposta em um ambiente onde a agilidade é determinante.

O ataque ao Banco Central é um alerta sistêmico: não se trata de “se” sua organização será atacada, mas “quando”. O custo da inação é imensurável: desde prejuízos financeiros até a perda de confiança de clientes e investidores. Esperar pela próxima regulação ou pelo próximo incidente é uma aposta de altíssimo risco.

Setores estratégicos como financeiro, saúde e infraestrutura precisam agir de forma imediata. As ferramentas já existem, os riscos estão mapeados e as soluções estão disponíveis. O que falta é decisão. E essa decisão não pode ficar restrita à área de TI. Precisa envolver lideranças executivas e conselhos, com políticas de segurança integradas à governança corporativa.

O Brasil está diante de um divisor de águas. Podemos continuar reagindo tardiamente ou assumir a dianteira, transformando a Inteligência Artificial em motor de proteção e capacitação. A confiança digital do país, e a competitividade de suas empresas, depende da escolha que fizermos agora.

(*) Especialista em Cibersegurança e Diretor Executivo da HexaDigital, empresa do grupo MakeOne, focada em projetos de cibersegurança, infraestrutura e conectividade para empresas.

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